UMA VIAGEM INSÓLITA

Junho e julho marcam o auge das férias europeias, período em que cada canto do continente se enche de turistas. Mais uma vez, Helsinque me recebeu de braços abertos. A paisagem estava completamente diferente daquela do inverno, quando o frio cobria os campos e a cidade com seu manto branco de neve. Agora, sob um agradável calor que passava dos 25 graus, os bosques e jardins floresciam em cores vibrantes, exibindo uma beleza natural que justifica perfeitamente o título da Finlândia, consagrada pela décima vez como o país mais feliz do mundo. Nessa época, caminhar pelos bosques da capital proporciona um contato único com a natureza; ao longo dos caminhos, deparamo-nos com centenas de chalés ocupados por famílias, espaços muito utilizados pelos cidadãos que respeitam a biodiversidade, cuja proteção é muito rígida no país.

Desse ponto de partida, embarquei em uma viagem surpreendente. Confesso que não fazia ideia das ricas experiências que me aguardavam, pois meu filho e minha nora haviam planejado em segredo um roteiro de alguns dias pela Europa Central. Curioso, perguntei:
— Para onde vamos?
— Hoje o destino é a Croácia! Vamos para Dubrovnik, uma cidade famosa por suas imponentes muralhas e águas cristalinas — revelou meu filho.

Após três horas de voo partindo de Helsinque, desembarcamos no destino. Nosso primeiro Airbnb foi uma escolha cirúrgica: localizado no alto de uma colina, oferecia uma vista impressionante das praias encravadas nas muralhas medievais banhadas pelo Mar Adriático. À noite, o espetáculo era ainda maior, com a lua brilhando no céu e refletindo um caminho sem fim sobre o mar. O único desafio era o acesso, que exigia vencer escadarias com centenas de degraus. Lá embaixo, descobri que as praias locais não têm areia, mas sim pedregulhos e rochas, tornando o uso de sapatilhas aquáticas indispensável para o conforto e a segurança.

No dia seguinte, escolhemos um passeio de cruzeiro panorâmico para as ilhas Elaphiti (Lopud, Sipan e Kolocep) a partir do porto de Dubrovnik. O custo foi de 40 euros por pessoa, com almoço incluso, em um tour de mais ou menos 10 horas. Tivemos tempo livre nas praias para mergulhar, curtir as paisagens e aproveitar as paradas para banho.

Dois dias depois, mudamo-nos para outra acomodação, desta vez estrategicamente localizada em frente ao portão principal da Cidade Velha, o coração turístico de Dubrovnik. Caminhar por suas ruas de pedra — uma extensão de mais de um quilômetro repleta de lojas e restaurantes — é como voltar no tempo. Cruzamos as vielas laterais que serviram de cenário para a aclamada série Game of Thrones e para grandes produções do cinema, como Star Wars: Os Últimos Jedi. Diferente das praias da colina, as praias da Cidade Velha ficam ao nível da rua e contam com uma excelente infraestrutura para os visitantes.

No fim dessa etapa, a curiosidade bateu novamente:
— E hoje, qual é o próximo destino?
— Vamos para a Hungria, conhecer a magnífica Budapeste! — respondeu ele com entusiasmo.

Budapeste impressiona por sua arquitetura imperial, artisticamente dividida pelo Rio Danúbio: de um lado, a histórica Buda; do outro, a vibrante Peste, unificadas no final do século XIX. Para contemplar essa que é uma das capitais mais belas da Europa, fizemos um passeio a bordo de um grande barco pelo Danúbio, apreciando a história esculpida nas fachadas dos edifícios à beira-rio. Em terra firme, exploramos cartões-postais como o Castelo de Buda, a Sinagoga da Rua Dohány, o Bastião dos Pescadores, o majestoso Parlamento, a Basílica de Santo Estêvão e a Colina de Gellért.

Diante de tantas subidas e escadarias sem fim, as pernas clamaram por trégua e o cansaço tomou conta do corpo. Para recuperar as forças, o dia seguinte foi dedicado ao relaxamento nos famosos banhos termais de Széchenyi. O complexo, construído em um deslumbrante estilo neobarroco, oferece piscinas de águas minerais térmicas com temperaturas que variam dos 18 aos 38 graus — um verdadeiro bálsamo. Para coroar a estadia, visitamos o lendário The New York Café. Estar ali e saborear um café cercado por tamanha opulência e riqueza de detalhes faz com que nos sintamos como a realeza em seu próprio palácio.

A nossa jornada, contudo, ainda reservava um último capítulo: a Eslováquia. Embarcamos em um trem para uma viagem de três horas rumo à capital, Bratislava. Chegamos bem na hora do almoço e fomos conhecer um dos principais restaurantes da cidade, o Slovak Pub. O local conta com uma câmara frigorífica que mantém os chopps a uma temperatura de -8 °C. Ali, experimentei uma sopa de alho servida dentro de um pão italiano — um momento indescritível que tornou aquelas poucas horas no local inesquecíveis. Sendo a maior cidade do país, Bratislava também se estende majestosamente às margens do Rio Danúbio, recebendo-nos com seu charme medieval e estátuas de bronze curiosas espalhadas pelo centro histórico, encerrando perfeitamente a nossa inesquecível Euro viagem.

Junho de 2026

Jose Claudio Piccirilo