{"id":123,"date":"2024-02-10T11:54:31","date_gmt":"2024-02-10T14:54:31","guid":{"rendered":"https:\/\/picciblog.com.br\/?page_id=123"},"modified":"2024-03-12T19:53:21","modified_gmt":"2024-03-12T22:53:21","slug":"a-sombra-fantasma-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/picciblog.com.br\/index.php\/a-sombra-fantasma-3\/","title":{"rendered":"A SOMBRA FANTASMA"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A SOMBRA FANTASMA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conto Francisco Piccirilo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Luis Ant\u00f4nio era um caixeiro, que desde menino trabalhou para seu Man\u00e9 da Venda. Manuel Carvalho, portugu\u00eas da Ilha da Madeira, fazia anos que estava no Brasil. Veio para c\u00e1 e montou um armaz\u00e9m de secos e molhados; fazenda e armarinhos, al\u00e9m de outras mercadorias, bem na sa\u00edda da pequena cidade. Ali constitui ponto obrigat\u00f3rio de parada n\u00e3o s\u00f3 de tropeiros, boiadeiros, vianjantes, como tamb\u00e9m do povo de um vilarejo distante vinte e cinco quil\u00f4metros, que vinha fazer compras. Distante cem metros come\u00e7ava o mato que se prolongava a perder de vista. A pr\u00f3pria vilinha de S\u00e3o Luis, que por perto havia pequenas ro\u00e7as, culturas de caf\u00e9, um pouco de aves e alguns animais, ficava rodeada pelo matagal.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto como a venda do seu Manuel era ponto de parada dos mais variados tipos de gente, muitas coisas eram contadas de arrepiar cabelos, por\u00e9m, todos afirmavam&nbsp;que&nbsp;entre&nbsp;Cravol\u00e2ndia e o povoado de S\u00e3o Luis, havia um trecho assombrado. Homem algum por mais valente que fosse conseguia atravessar. Esse complexo de medo fazia com que ningu\u00e9m se atrevesse a transitar pela estrada de noite, sobretudo quando enluarada.<\/p>\n\n\n\n<p>De S\u00e3o Lu\u00eds ningu\u00e9m vinha; para l\u00e1 n\u00e3o havia necessidade de irem. Com isso a estrada conservava-se isolada e misteriosa. Isso durou muitos anos at\u00e9 que um dia&#8230;!<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia surgiu uma era em Cravol\u00e2ndia. O progresso chegara ali e inclusive para o lugarejo. Uma grande ind\u00fastria se instalou na cidade. Come\u00e7ou o aparecimento de vilas pelos quatro cantos do lugar; a pr\u00f3pria venda de seu Man\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o ficava mais na sa\u00edda e sim quase no centro. O mato fora afastado al\u00e9m de quinhentos metros; o movimento de tropas e boiada transferido para outro setor. O progresso de S\u00e3o Luis aumentou, passou a vila e agora j\u00e1 era uma pequena cidade, por\u00e9m, a estrada continuava meio misteriosa, porque, agora poucos falavam de assombra\u00e7\u00e3o. Alguns anos depois ningu\u00e9m mais se lembrava de nada. Luis Ant\u00f4nio at\u00e9 esquecera daquilo que os caboclos tanto contavam; o armaz\u00e9m tinha aumentado; novos fregueses; novas caras; tudo enfim contribu\u00eda para o completo&nbsp;abandono da falada &#8220;alma do outro mundo&#8221;, que tanto amedrontava os cavaleiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados muitos anos e quando o caixeiro j\u00e1 era mo\u00e7o, foi deixada por um viajante no armaz\u00e9m, uma carta urgente endere\u00e7ada ao senhor Os\u00f3rio Jacinto, da vila de S\u00e3o Luis. Eram duas horas da tarde de um domingo. Manuel Carvalho, que era homem muito atencioso e fazia tudo para servir os amigos, vizinhos e fregueses, estava encabulado com aquela carta. Como iria faz\u00ea-la chegar ao destinat\u00e1rio? Luis Ant\u00f4nio, a fim de tranquiliz\u00e1-lo, prontificou-se em levar a correspond\u00eancia. Selou o cavalo em poucos minutos estava a caminho de S\u00e3o Luis. A Vila nesse dia esta bonita, chela de gente; rapazes e mo\u00e7as; algumas mais bonitas que outras irradiavam beleza e mocidade. Havia festa em louvor ao Santo Padroeiro. Prociss\u00e3o, banda de m\u00fasica, roj\u00f5es, quermesse com barracas de leil\u00e3o e outros jogos, al\u00e9m de uma por\u00e7\u00e3o de coisas. O mo\u00e7o entregou a carta, depois visitou muitos conhecidos, participou da festa, rezou em louvor a S\u00e3o Luis Gonzaga, e l\u00e1 pelas tantas resolveu voltar \u00e0 sua casa. Despediu-se do pessoal, selou o animal e tratou de apressar o trote. De sombra\u00e7\u00e3o nem se lembrou; ningu\u00e9m tamb\u00e9m comentou. Satisfeito de ter feito&nbsp;esse&nbsp;passeio, festejado um pouco, visitado antigos fregueses de seu patr\u00e3o, ia o rapaz alegre e despreocupado, quando em dado momento, o animal estacou repentinamente, levantou as patas dianteiras, rinchou violentamente, quis virar para traz, mas foi detido por Luis,<\/p>\n\n\n\n<p>que n\u00e3o obstante o susto, soube reagir a tempo freando o cavalo. Quase caiu, mas segurou firme, desceu rapidamente e procurou acalm\u00e1-lo. Naquele instante veio-lhe a lembran\u00e7a do trecho fat\u00eddico muito contado pelos viandantes. Um frio correu-lhe na cabe\u00e7a aos p\u00eas; o medo apavorou lhe a mente. Estava na metade do caminho completamente desarmado, n\u00e3o tinha nem um canivete para defender-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou ali um bom tempo sem saber que faria. Voltar a Vila achava feio e seria covardia; seguir, tinha de enfrentar a assombra\u00e7\u00e3o e o cavalo recusava andar. Luis Antonio tremia; o suor corria-lhe pelo rosto, bem adiante percebia qualquer coisa esquisita. Depois de muito pensar resolveu enfrentar a situa\u00e7\u00e3o. Vedou os olhos do animal com seu chap\u00e9u, rezando, mas com o cora\u00e7\u00e3o batendo forte foi andando vagarosamente. Quanto mais se aproximava, mais o calafrio aumentava. Pela cabe\u00e7a rodava- lhe uma por\u00e7\u00e3o de coisas aumentando a confus\u00e3o, dando a impress\u00e3o de querer&nbsp;desmaiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Invocando a prote\u00e7\u00e3o Divina, de Maria Sant\u00edssima, \u00e9 de seu predileto Santo Antonio, foi avan\u00e7ando cautelosamente sem olhar para lado algum. Levou bom tempo, mas conseguiu atravessar o perigo sem nada acontecer. Depois de transposto o perigoso desconhecido parou; respirou profundamente, criou coragem e voltou a olhar para traz. O estranho mist\u00e9rio continuava do mesmo jeito. Nada mais era do que o reflexo do luar refletido na estrada por entre as \u00e1rvores, que subindo pelo barranco e movimentado por uma leve brisa, representava figuras armadas que impediam todos que ali tentassem passar.<\/p>\n\n\n\n<p>Refeito do susto e do medo, e parecendo ter vencido um grande inimigo, deu uma gargalhada debochando dos valent\u00f5es de estradas. Depois montou no seu brioso alaz\u00e3o e dando algumas chibatadas, f\u00ea-lo voar pela estrada afora at\u00e9 chegar&nbsp;ao&nbsp;seu&nbsp;lar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-comments\"><h2 id=\"comments\" class=\"wp-block-comments-title\">2 responses to &#8220;A SOMBRA FANTASMA&#8221;<\/h2>\n\n<ol class=\"wp-block-comment-template\"><li id=\"comment-2\" class=\"comment byuser comment-author-picciblog-com-br bypostauthor even thread-even depth-1\">\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:40px\"><div class=\"wp-block-avatar\"><img alt='Tiago Piccirilo Avatar' src='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/3dad88cb66e26aec48c7baf9f5308538665e4191cb63e602eab7e483663f3370?s=40&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/3dad88cb66e26aec48c7baf9f5308538665e4191cb63e602eab7e483663f3370?s=80&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-40 photo wp-block-avatar__image' height='40' width='40'  style=\"border-radius:20px;\"\/><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-comment-author-name has-small-font-size\">Tiago Piccirilo<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-flex wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"margin-top:0px;margin-bottom:0px\"><div class=\"wp-block-comment-date has-small-font-size\"><time datetime=\"2024-03-12T19:54:03-03:00\"><a href=\"https:\/\/picciblog.com.br\/index.php\/a-sombra-fantasma-3\/#comment-2\">12 de March de 2024<\/a><\/time><\/div>\n\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-comment-content\"><p>Formid\u00e1vel este velho Chico!!!! \ud83d\ude42<\/p>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-comment-reply-link has-small-font-size\"><a rel=\"nofollow\" class=\"comment-reply-link\" href=\"#comment-2\" data-commentid=\"2\" data-postid=\"123\" data-belowelement=\"comment-2\" data-respondelement=\"respond\" data-replyto=\"Reply to Tiago Piccirilo\" aria-label=\"Reply to Tiago Piccirilo\">Reply<\/a><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n<\/li><li id=\"comment-10\" class=\"comment odd alt thread-odd thread-alt depth-1\">\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:40px\"><div class=\"wp-block-avatar\"><img alt='Felix Meyer Avatar' src='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/45a3f7a204311088f8eed97b08e6f5f595fd043fa7cdb5a5da0276792a7b0c1d?s=40&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/45a3f7a204311088f8eed97b08e6f5f595fd043fa7cdb5a5da0276792a7b0c1d?s=80&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-40 photo wp-block-avatar__image' height='40' width='40'  style=\"border-radius:20px;\"\/><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-comment-author-name has-small-font-size\"><a rel=\"external nofollow ugc\" href=\"http:\/\/webemail24.com\" target=\"_self\" >Felix Meyer<\/a><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-flex wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"margin-top:0px;margin-bottom:0px\"><div class=\"wp-block-comment-date has-small-font-size\"><time datetime=\"2024-08-07T05:11:22-03:00\"><a href=\"https:\/\/picciblog.com.br\/index.php\/a-sombra-fantasma-3\/#comment-10\">7 de August de 2024<\/a><\/time><\/div>\n\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-comment-content\"><p>Superb and well-thought-out content! 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