{"id":152,"date":"2024-02-10T13:00:45","date_gmt":"2024-02-10T16:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/picciblog.com.br\/?page_id=152"},"modified":"2024-02-10T13:00:46","modified_gmt":"2024-02-10T16:00:46","slug":"os-milagres-de-sao-vicente","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/picciblog.com.br\/index.php\/os-milagres-de-sao-vicente\/","title":{"rendered":"OS MILAGRES DE S\u00c3O VICENTE"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>OS MILAGRE DE S\u00c3O VICENTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conto Francisco Piccirilo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dormindo nas cadeiras da pequena sala, numa humilde casa sita a Rua Estrela Cadente n\u00ba 20, estavam Jo\u00e3o, Manoela, Otavio, Vicente, Lisete, Ros\u00e1lia, clemente e Madalena, avos, tios, primos e padrinhos do moribundo, al\u00e9m de alguns vizinhos. Junto \u00e0 cama do agonizante, sua noiva, seu pai Carmine, al\u00e9m de Pedro, seu irm\u00e3o, aguardavam os \u00faltimos momentos fatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a fam\u00edlia era muito devota de S\u00e3o Vicente, dona Lu\u00edsa havia feito uma novena em louvor no Santo. Ela continuava agarrada \u00e0s ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade era pequena e sem recursos e pobres eram os familiares. Os moradores, imigrantes italianos, faziam algum tempo que haviam chegados.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela noite f\u00fanebre, quando o jovem Romeu estava agonizando, dona Luiza tirou o quadro do Santo o qual estava dependurado na parede, colocou-o no ch\u00e3o e \u00e0 sua frente acendeu duas velas bentas, n\u00e3o mais pela cura do enfermo, pois Romeu agonizava, mas pela sua alma, a fim de que Deus, em sua infinita bondade, a recebesse bem, uma vez que os criminosos da terra n\u00e3o receberam o castigo devido. Que a alma pura do rapaz voasse direta para o c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>A esperan\u00e7a, a f\u00e9, a virtude e a forte devo\u00e7\u00e3o enfim, tudo o que fosse para o bem do doente e tranquilidade da fam\u00edlia Malacacheta, foram feitos. Romeu era um mo\u00e7o trabalhador, simp\u00e1tico para todos um verdadeiro romeu para as poucas jovens&nbsp;que&nbsp;havia&nbsp;na cidade, n\u00e3o merecia um fim daquele jeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento dif\u00edcil para os familiares aceitarem a vontade Divina, inesperadamente, um sono profundo enviado aos presentes. A casa, por um bom tempo ficou silenciosa, s\u00f3 as velas clareavam o quarto. Romeu, que n\u00e3o conseguia abrir os olhos, apenas gemia ofegante, parou de gemer, levantou, com certo esfor\u00e7o, o corpo, sentou-se na pequena cama e arregalou suas pupilas para ver que \u00e0 sua frente estava um mo\u00e7o bem-vestido trajando roupas celestiais, cujo esplendor clareou seu c\u00f4modo. O Mensageiro fez-lhe um sinal para que ficasse quieto e com um gesto miraculoso fez aparecer tr\u00eas torneiras nas paredes. Tomou um copo com \u00e1gua da primeira e deu ao moribundo. Este, com muita dificuldade bebeu gole a gole; o Mensageiro tomou o copo e encheu-o de \u00e1gua da segunda e deu ao doente, este j\u00e1 bebeu mais \u00e0 vontade e quando foi dado o l\u00edquido da terceira, Romeu j\u00e1 estava sentado na cama com os p\u00e9s no ch\u00e3o, completamente curado.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminado o milagre, o Enviado disse ao mo\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;-Deus Ouviu as preces e sacrif\u00edcios de sua m\u00e3e e mandou-me para cur\u00e1-lo. Agora que voc\u00ea est\u00e1 bom, que ela cumpra o resto das promessas! E desapareceu Desaparecendo do quarto tudo se escureceu novamente, mas l\u00e1 fora o astro Rei j\u00e1 estava aparecendo com seus primeiros raios solares e os dorminhocos foram acordando com o cantar dos galos das vizinhan\u00e7as. pai de Romeu s\u00f3 sabia&nbsp;pronunciar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;-Milagre! Milagre!! Milagre!!!<\/p>\n\n\n\n<p>As velas no ch\u00e3o tinham-se esgotadas, s\u00f3 ficou o quadro, o qual dona Luiza com os olhos cheios de l\u00e1grimas motivados realmente pelo milagre, abra\u00e7ava-o e o beijava, mais que seu pr\u00f3prio filho, colocando-o depois provisoriamente em cima de uma tosca c\u00f4moda. Carmine abra\u00e7ava e beijava desesperadamente seu filho, como s\u00e3o os italianos. Os amigos, parentes, padrinhos e os demais ali presentes queriam tamb\u00e9m o abra\u00e7ar, mas parecia que o pai n\u00e3o deixava de tanta alegria e ci\u00fame. Condessa, sua noiva, n\u00e3o sabia como abra\u00e7ar e beijar seu noivo. Os vizinhos, parentes, todos estavam felizes pelo acontecimento e pela cura inesperada e provada, s\u00f3 os advers\u00e1rios, os invejosos e quase criminosos, os quais tamb\u00e9m espreitavam, n\u00e3o gostaram.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Criminosos! Por que criminosos? Qual a raz\u00e3o dessa hedionda tentativa com o bom rapaz que n\u00e3o tinha inimigos?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a fam\u00edlia de carmine viera morar no povoado de Benvindo, Romeu passou a namorar discretamente a jovem Magn\u00f3lia, conhecida por Condessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Magn\u00f3lia era uma mo\u00e7a muito linda e com seus vinte e seis anos de idade, cabelos longos e loiros, seios robustos, cintura m\u00e9dia, estatura e forma de corpo bem-dotado, muito cobi\u00e7ada pelos rapazes do lugar os quais queriam namor\u00e1-la, mas que ela n\u00e3o ligava ou n\u00e3o queria, sabe l\u00e1 os caprichos das&nbsp;mulheres,&nbsp;al\u00e9m disso Condessa era filha \u00fanica de um grande fazendeiro no munic\u00edpio, mais uma raz\u00e3o para os cobi\u00e7osos. Ambos moravam modestamente na pequena cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um determinado domingo quando os moradores foram \u00e0 capela de Santo Antonio assistirem \u00e0 Santa Missa, batizados e casamento, uma vez que ali n\u00e3o era muito comum essas cerim\u00f4nias religiosas, Romeu viu Condessa e esta, com muita raz\u00e3o viu Romeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Condessa se chamasse Julieta, estaria havendo uma perfeita r\u00e9plica de &#8220;Romeu e Julieta&#8221;, segundo Shakespeare, mas ela era simplesmente Magn\u00f3lia, ali\u00e1s, um nome muito bonito, embora incomum. Entretanto, houve um come\u00e7o de romance, os dois se avistaram pela primeira vez e aquele &#8220;um de cupido&#8221; penetrou nos cora\u00e7\u00f5es dos jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>A princ\u00edpio, \u00e9 claro, ambos se comportaram como desconhecidos. Houve a Missa, depois o casamento de Jo\u00e3o Matogrosso com Rosa Eur\u00edpides, logo a seguir os batizados dos pequenos Leonel, Rodrigo e Isabel, terminando assim os atos religiosos realizados por Frei Agostinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Cipriano, um dos rapazes interessados em Condessa percebeu que houve um olhar \u00e0 primeira vista entre Magn\u00f3lia e Romeu e n\u00e3o gostou nada disso e nem podia gostar, pois ele era um dos que tentava conquist\u00e1-la. E por que iria Condessa se interessar logo pelo rapaz ainda novato na pequena cidade? Nem sabia quem era, o que fazia,&nbsp;qual&nbsp;a&nbsp;fam\u00edlia?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu diria que o amor \u00e0 primeira vista n\u00e3o se interessa por esses detalhes, depois sim. A mo\u00e7a v\u00ea que o homem n\u00e3o faz seu g\u00eanero, o mo\u00e7o tamb\u00e9m percebe qualquer coisa e que o casamento n\u00e3o vai dar certo e desiste em tempo, mas o outro n\u00e3o e agarra com afinco e faz de tudo para n\u00e3o perder a parada. Era isso que alguns dos mo\u00e7os de bem-vindo insistiam em conquistar Condessa, a qual n\u00e3o se interessava amar ningu\u00e9m. Ela dizia as suas amigas mais \u00edntimas que n\u00e3o ligava ao casamento, entretanto seu pai a prevenia de que convinha encontrar um bom mo\u00e7o e fazer um \u00f3timo cas\u00f3rio, visto ser um grande empres\u00e1rio e precisava deixar seus bens aos herdeiros. Vi\u00favo e com filha \u00fanica, suas ambi\u00e7\u00f5es criavam-lhes s\u00e9rias preocupa\u00e7\u00f5es. Carmine, pai de Romeu era carpinteiro, Romeu, ferreiro, seu irm\u00e3o Pedro, pedreiro e todos trabalhavam na fazenda de Jo\u00e3o de Oliveira e Silva, pai de Condessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o de Oliveira nessa \u00e9poca estava melhorando os bens im\u00f3veis de sua fazenda. Cercando o gado, construindo paios, celeiros, represa, casas para empregados e com isso necessitava de profissionais competentes. Para lidar com o gado, caf\u00e9 e cereais, seus empregados moravam em toscas cabanas ou no povoado. Oliveira e Silva era um fazendeiro muito humano e progressista. Quando adquiriu a propriedade Santa Maria, s\u00f3 havia mato, capinzal e muitas sa\u00favas. Logo que assumiu o controle ajustou alguns empregados e pe\u00f5es e com eles se p\u00f4s \u00e0 campo. Pagava bons sal\u00e1rios e os&nbsp;trabalhadores muito o apreciavam. \u00c0 medida que colhia e colocava no mercado, com entrada de dinheiro ia melhorando a propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s alguns anos de trabalhos e j\u00e1 estando usufruindo de bons neg\u00f3cios devido a venda de uma boia da e feito um bom neg\u00f3cio com caf\u00e9, Jo\u00e3o resolveu fazer uma reforma geral e construir outros benfeitorias, da\u00ed contratar profissionais competentes e entre eles estavam carmine e seus dois filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A princ\u00edpio o fazendeiro n\u00e3o notara a presen\u00e7a de filha em sua propriedade, ela n\u00e3o se interessava muito pelas terras, mas depois come\u00e7ou a notar e o pior, Condessa ia muito \u00e0 oficina.<\/p>\n\n\n\n<p>Romeu trabalhava honestamente sem ligar pela visita por duas razoes: primeiro, porque era um empregado; segundo, porque a mo\u00e7a era filha de seu patr\u00e3o. O mo\u00e7o corava ao v\u00ea-la entrar vestida como amazonas, mas continuava seu trabalho. Reconhecia que n\u00e3o convinha ficar parado. E&#8217; claro que fazia um descanso afim de explicar certos detalhes que propositadamente a mo\u00e7a pedia. Os demais empregados percebiam as inten\u00e7\u00f5es da jovem e a conduta cavalheiresca do empregado frente sua patroa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela devia respeitar o trabalho dos funcion\u00e1rios e em particular de Romeu, mas seu interesse por ele estava acima de tudo e logo ela que at\u00e9 ent\u00e3o nunca se interessara namorar algu\u00e9m. N\u00e3o que n\u00e3o houvesse, pois muitos mo\u00e7os fazendeiros estavam interessados&nbsp;em&nbsp;despos\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Notando, portando, a presen\u00e7a constante de sua filha na oficina seu pai resolveu segui-la. Junto dele estava Cipriano, filho de seu administrador e chefe dos pe\u00f5es e muito interessado em Condessa seja por amo, ou pelo lado, se bem que as duas coisas faziam qualquer homem se interessar por ambos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;-Filha, disse o pai, quando a viu muito chegada ao empregado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212; O que est\u00e1 havendo de novo para vir constantemente \u00e0 fazenda e ficar aqui, um lugar bastante perigoso? N\u00e3o percebe que al\u00e9m de atrapalhar os empregados, ainda pode sofrer um acidente?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;N\u00e3o se preocupe, papai. Sei me defender. Afinal n\u00e3o sou mais uma crian\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<p>O pai concordou, mas Cipriano n\u00e3o gostou nada de que presenciou. Percebeu e com muita raiva, de que havia interesse dela polo mesquinho ferreiro e o pior, este tamb\u00e9m tinha interesse pela jovem. Quando Condessa, seu pai e Cipriano sa\u00edram, Romeu ficou calmo, mas logo Cipriano voltou e num \u00edmpeto de furiosidade foi desafiando.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Voc\u00ea n\u00e3o se enxerga para namorar a filha do patr\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Mais raivosamente Romeu, que sabia das inten\u00e7\u00f5es do advers\u00e1rio sobre a donzela, avan\u00e7ou com um ferro em brasa por cima de Cipriano, mas este muito esperto, fugiu. Carmine e outros empregados&nbsp;correram para conter o ferreiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;-Por que esse sujeito vem me tentar? Eu falei alguma coisa? Estou aqui trabalhando, cumprindo minhas obriga\u00e7\u00f5es, que hist\u00f3ria \u00e9 essa de namorar a filha do patr\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>O fazendeiro soube do ocorrido e sou tamb\u00e9m que Cipriano estava errado, por isso fez-lhe s\u00e9ria advert\u00eancia que ainda mais o irritou contra Romeu e acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Que isso n\u00e3o se repita. N\u00e3o admito qualquer incidente entre empregados em minha fazenda!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aconteceu. Cipriano estava cada vez mais ciumento e despeitado percebendo que Condessa estava amando Romeu, ela que antes n\u00e3o ligava a ningu\u00e9m e esse ci\u00fame acabou-lhe traindo e foi despachado do emprego, provocando com isso um desentendimento com o administrador, pai de Cipriano, o qual devia entender que uma coisa n\u00e3o, tem nada com a outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Romeu ficou e continuou seu trabalho e passado algum tempo Oliveira ficou definitivamente ciente que sua filha realmente estava namorando seu empregado. Com a certeza desse namoro e interessado num casamento da filha, n\u00e3o se op\u00f4s e o mo\u00e7o passou a namor\u00e1-la oficialmente inclusive em sua casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Poderiam os outros candidatos e sobretudo Cipriano compreender isso? Nunca e para tanto este convenceu seus amigos Felisberto, Renato e Fermino a pregar um susto e medo em Romeu, tentando&nbsp;com&nbsp;isso afast\u00e1-lo da herdeira de Oliveira e Silva. Cipriano armou, com seus comparsas uma armadilha e numa noite de domingo, quando o jovem regressava da casa de Condessa foi abordado por Cipriano e das conversas havidas f\u00ea-lo entender que pelo seu bem deveria desistir da mo\u00e7a enquanto era tempo, pois outros interessados no namoro de Magn\u00f3lia estavam planejando atac\u00e1-lo. Romeu reagiu, pois o conhecia bastante para saber que n\u00e3o passava de um ci\u00fame sujo e hip\u00f3crita mas Cipriano, mais uma vez derrotado em seu intento, j\u00e1 que Romeu se desembara\u00e7ava de seu opositor, munido de uma faca o conteve. O mo\u00e7o tentou uma luta, mesmo sabendo do perigo que corria. Da luta Cipriano mostrando-se fraco e covarde gritou por socorro, pois sabia que seus companheiros estavam de tocaia. Renato, Felisberto e Fermino vieram armados de canivete, peixeira e navalha e todos entraram em luta pela defesa de Cipriano.<\/p>\n\n\n\n<p>O lugar era escuro e os quatro digladiando em luta acabaram retalhando o indefeso rapaz. Naquele lugar ermo n\u00e3o havia ningu\u00e9m que pudesse ajud\u00e1-lo e testemunhar os componentes da briga. Quando os atacantes perceberam que Romeu havia ca\u00eddo transformado num monte de carne retalhada e julgando-o morto sa\u00edram em de balada por todos os cantos da pequena cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais de Romeu estavam inquietos. J\u00e1 era tarde da noite e o filho n\u00e3o aparecia. Esperaram mais e mais preocupados ficavam \u00e0 medida que as horas passavam, pois o mancebo n\u00e3o era de chegar&nbsp;tarde,&nbsp;at\u00e9 que Carmine e Pedro n\u00e3o se contentaram e resolveram sair a procura do jovem at\u00e9 chegar \u00e0 casa de seu patr\u00e3o. A m\u00e3e de Romeu, aflita, rezava \u00e0 S\u00e3o Vicente Ferrer, fazendo promessas e preces.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Patr\u00e3o, meu filho at\u00e9 agora n\u00e3o chegou em casa! O patr\u00e3o ficou apreensivo e tamb\u00e9m Condessa, que com as batidas na porta e o choro do velho, f\u00ea-la levantar-se da cama e aparecer na janela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Que vamos fazer, pai?! Fa\u00e7a alguma coisa! O desespero de todos n\u00e3o resolvia nada. Oliveira mandou que seu caseiro junto com Carmine e Pedro asissem pelas ruas e becos a procura do rapaz, mas a escurid\u00e3o e o vento que se levantara n\u00e3o permitia ver nada. Nem f\u00f3sforo, nem vela ficavam acesos. Dali h\u00e1 pouco come\u00e7ou a chover, vindo a atrapalhar mais ainda as buscas do desaparecido. Os moradores molestados pelo barulho foram se levantando e s\u00f3 pela madrugada, um dos habitantes que passava pelo lugar achou o corpo de Romeu encolhido num pequeno buraco perto de um barranco. Estava todo molhado e ensanguentado, suas roupas estra\u00e7alhadas, seu corpo retalhado. Ferido, procurou se arrastar para um ref\u00fagio, mas n\u00e3o pode.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Valha meu Deus e S\u00e3o Vicente que nos ajude, gritou Carmine levantando os bra\u00e7os para o alto quando viu o filho amontoado daquela forma, sem poder dizer uma s\u00f3 palavra. Apenas gemia. Todas as pessoas ali presentes procuraram improvisar uma maca e trans portar o mo\u00e7o&nbsp;para&nbsp;sua&nbsp;casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Luiza que estava cada vez mais aflita pela demora de seu marido os filhos, quando viu trazer seu Romeu daquele jeito, gritou o desmaiou, Clemente, Madalena, Jo\u00e3o, Marcela, Luis, enfim todos os parentes procuraram acomodar o ferido na cama acudir tamb\u00e9m Luiza. Rapidamente buscaram um curandeiro que morava numa barroca, distante alguns quil\u00f4metros e enquanto podiam iam limpando as sujeiras e pensando os ferimentos com rem\u00e9dios caseiros. Cobriram com um len\u00e7ol e aguardavam a chegada do curador. Farm\u00e1cia e farmac\u00eautico n\u00e3o tinham na cidade. M\u00e9dico, estava muito longe.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando a si e reanimada com a sorte do filho, Luiza come\u00e7ou a rezar continuadamente em companhia dos parentes e vizinhos. O fazendeiro, tendo dispensado Carmine e Pedro dos servi\u00e7os enquanto Romeu agonizava, por insist\u00eancia da filha despachou um criado \u00e0 cidade grande, com uma charrete para trazer o m\u00e9dico. Este ao examinar a v\u00edtima, declarou o caso encerrado, nem valia transport\u00e1-lo ao hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem teria feito aquilo? Ningu\u00e9m sabia. O \u00fanico soldado tomou as devidas anota\u00e7\u00f5es e despachou ao seu superior, mas investiga\u00e7\u00e3o mesmo, nada. Ali esperavam que os atacantes se apresentassem, mas ningu\u00e9m veio.<\/p>\n\n\n\n<p>Decorrido a novena em louvor ao Santo Padroeiro e estando Romeu agonizando, j\u00e1 que n\u00e3o morrera t\u00e3o depressa, como o m\u00e9dico previra, dona&nbsp;Luiza&nbsp;tirou da parede o quadro e colocou-o no ch\u00e3o e em frente acendeu duas velas bentas e todos da casa inclusive Condessa passaram a rezar com mais devo\u00e7\u00e3o at\u00e9 que inesperadamente dormiram profundamente. Quando o dia come\u00e7ou a clarear, os galos cantarem, Romeu se levantou e todos acordaram espantados e glorificando a Deus Milagre! Milagre!! Milagre!!!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS MILAGRE DE S\u00c3O VICENTE Conto Francisco Piccirilo Dormindo nas cadeiras da pequena sala, numa humilde casa sita a Rua Estrela Cadente n\u00ba 20, estavam Jo\u00e3o, Manoela, Otavio, Vicente, Lisete, Ros\u00e1lia, clemente e Madalena, avos, tios, primos e padrinhos do moribundo, al\u00e9m de alguns vizinhos. 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