{"id":198,"date":"2024-02-16T09:22:01","date_gmt":"2024-02-16T12:22:01","guid":{"rendered":"https:\/\/picciblog.com.br\/?page_id=198"},"modified":"2024-03-16T10:05:53","modified_gmt":"2024-03-16T13:05:53","slug":"odeio-meu-marido","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/picciblog.com.br\/index.php\/odeio-meu-marido\/","title":{"rendered":"ODEIO MEU MARIDO"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>ODEIO MEU MARIDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conto Francisco Piccirilo<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sou uma senhora desquitada. Infelizmente meu casamento durou menos de dois anos. Considero-me uma das muitas v\u00edtimas do que se chama DESTINO&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00facia Helena \u00e9 uma mo\u00e7a que foi criada por fam\u00edlia estranha; Seus pais muito pobres entregou a ela, que a criou, como se fosse filha leg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>Conheci L\u00facia Helena em casa de seus pais adotivos numa cidade do interior, quando ent\u00e3o contou-me seu curto per\u00edodo matrimonial, num desabafo confidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o conheci meus leg\u00edtimos pais e s\u00f3 depois de menina mo\u00e7a vim saber que estava sendo criada por pais adotivos, por\u00e9m, nunca deixei de respeit\u00e1-los e ao contr\u00e1rio, devotei-lhes meu amor reconhecido porque, aqueles que criam, que sofrem pela educa\u00e7\u00e3o de um ser humano, principalmente quando de outra fam\u00edlia, s\u00e3o os verdadeiros progenitores. Os outros, apenas colocam mais uma crian\u00e7a no mundo ao ficar mo\u00e7a conheci meu primeiro namorado. Do primeiro passei ao segundo, ao terceiro, com quem me casei. Meu namoro, como o noivado n\u00e3o foi o de uma mo\u00e7a compenetrada dos futuros deveres de uma mulher, de uma esposa e m\u00e3e.&nbsp;Gostando&nbsp;de liberdade e por ser muito nova, preferia deixar o noivo em casa e ir ao cinema, ao baile, aos passeios. Meu futuro marido tolerava isso porque via em mim os tra\u00e7os de uma infantilidade, pois reconhecia ele, uma menina de dezesseis anos de idade n\u00e3o est\u00e1 suficientemente amadurecida para um compromisso t\u00e3o importante, como o casamento. Todavia, levado por esse intens\u00e3o, Mauro foi me tolerando e finalmente viu seus desejos satisfeitos. Casou-se comigo, a despeito do papel que fiz durante o noivado. Ap\u00f3s o casamento, Mauro achou que a vida de casada n\u00e3o lhe estava sendo \u00fatil em nossa cidade e mudamos ent\u00e3o, para a Capital do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com muito sentimento em ir morar longe de minha cidade natal, de meus pais e conhecidos, acompanhei meu marido, que tamb\u00e9m levou sua m\u00e3e e fomos instalados num bairro muito pobre da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Se para Mauro o noivado foi bem evasivo devido os meus procedimentos infantis, na grande metr\u00f3pole fui eu que senti os efeitos de um p\u00e9ssimo marido. Longe de minha gente, num ambiente bem diferente, senti logo o grande erro que cometi. Havia me casado com um vagabundo. Fui infantil, mas fui honesta, trabalhadeira. Quando me casei senti minha&nbsp;responsabilidade de e por isso dediquei minha aten\u00e7\u00e3o ao marido, mas ele n\u00e3o correspondeu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8220;Mauro!.., n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea tenha escolhido S\u00e3o Paulo, para essa vida&#8230;. Aqui temos responsabilidades; precisamos comer, vestir, pagar o aluguel do quarto e prever o futuro! afinal somos casados e&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Amanh\u00e3 irei procurar emprego. Agora n\u00e3o me amole e v\u00ea se n\u00e3o fico sem o jantar, porque de almo\u00e7o n\u00e3o vi nada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa vida vinha se arrastando h\u00e1 dias e, tamb\u00e9m minha sogra, que ficara vi\u00fava com seu \u00fanico filho, concordava plenamente com a vadiagem dele. Mauro era um rapaz forte, simp\u00e1tico, inteligente. N\u00e3o consegui compreender o motivo de sua virada no casamento. Eu fui vol\u00favel, mas me compenetrei da responsabilidade, ele, ao contr\u00e1rio, inverteu. Os dias foram se passando e nossa fam\u00edlia cada vez mais amargurada. A pequena pens\u00e3o da vi\u00fava e o pouco que Mauro ganhava, n\u00e3o se sabe onde, n\u00e3o conseguiam equilibrar as despesas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;L\u00facia, repetia minha sogra um tanto enfurecida. Voc\u00ea precisa trabalhar! Aqui em S\u00e3o Paulo todos trabalham!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Mas mam\u00e3e, eu posso trabalhar; mas \u00e9 necess\u00e1rio que primeiro Mauro&nbsp;se&nbsp;coloque num emprego firme! Afinal, ele \u00e9 o chefe da casa. Se seu ordenado n\u00e3o der, ent\u00e3o irei tamb\u00e9m trabalhar em algum lugar para ajud\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Voc\u00ea insinua que meu filho \u00e9 vagabundo? Isso n\u00e3o admito, sua mal-educada! Bem que preveni meu filho para n\u00e3o se casar com mo\u00e7as de sua esp\u00e9cie! Toda mo\u00e7a que cresce sem pais \u00e9 assim mesma; julgam-se somente no direito de receber tudo na boca!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Isso n\u00e3o \u00e9 verdade! gritei num momento de grande \u00f3dio. &#8221; Entretanto, compreendi at\u00e9 onde ia meu destino naquela miser\u00e1vel casa&#8221;. Se estou falando assim \u00e9 porque&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;-Chega!.., n\u00e3o admito gritos de quem quer que seja, principalmente de uma nora sem car\u00e1ter, sem compreens\u00e3o!&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meu marido dormia, quando eu e minha sogra discut\u00edamos naquele cub\u00edculo de um quarto e cozinha, que tamb\u00e9m servia de sala. Eram tr\u00eas horas da tarde e porque as discuss\u00f5es se alterassem muito, Mauro acabou acordando e veio at\u00e9 n\u00f3s enfurecido e, sem saber as raz\u00f5es da briga de sogra e nora me esbofeteou inesperada mente no rosto, com os argumentos pr\u00f3prios de um inveterado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Vagabunda e nojenta! foi para isso que me casei com voc\u00ea?&#8230;&nbsp;maltratar&nbsp;minha m\u00e3e!&#8230; n\u00e3o tem vergonha nessa cara desrespeitando uma senhora indefesa?!&#8230; se n\u00e3o est\u00e1 contente com esta casa volte para sua terra; para aqueles que n\u00e3o souberam dar-lhe uma educa\u00e7\u00e3o; para aqueles que a criaram mais por piedade, uma vez que nem seus leg\u00edtimos pais a quiseram!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Diante de tal sorte, envergonhada e com o rosto pegando fogo pelos sopapos e das palavras ouvidas, sai correndo pelas ruas, como uma desesperada. Mauro quiz sair atr\u00e1s, mas sua m\u00e3e segurou-lhe. Felizmente, depois de percorrer algumas ruas e quadras em solu\u00e7os, encontrei uma senhora que me interpelou&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Mo\u00e7a, que \u00e9 isso? por que est\u00e1 chorando? aconteceu alguma desgra\u00e7a?!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Realmente eu chorava convulsamente. Naquele momento n\u00e3o distinguia nada; apenas senti algu\u00e9m e ouvi uma voz de anjo. Espantada quiz voltar para traz, mas havia perdido a no\u00e7\u00e3o do lugar onde morava. Tranquilizada pela senhora, contei minha hist\u00f3ria, mas um tanto diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Meu marido ficou doente e desempregado. Somos tr\u00eas em casa e estamos sem o que comer; viemos do interior e pouco conhecemos&nbsp;aqui!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A bondosa senhora percebeu pelo vermelh\u00e3o e tamb\u00e9m pelas l\u00e1grimas, que minha hist\u00f3ria estava mal contada, mas aceitou-a, mesmo porqu\u00ea, n\u00e3o tinha nada a haver com meus problemas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Seu rosto e suas l\u00e1grimas, minha filha, diz bem o contr\u00e1rio. Infelizmente aqui na capital muitos casos ocorrem semelhante ao seu. Se quiser trabalhar em meu atelier, estou precisando de algumas auxiliares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aquele convite naquela hora foi para mim um pr\u00eamio ca\u00eddo do c\u00e9u. Afinal era uma profiss\u00e3o que sabia muito bem e o emprego vinha resolver um problema por demais necess\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Irei prontamente, minha senhora, e se tiver roupas que me sirvam, iniciarem j\u00e1 o servi\u00e7o!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Veja como descobri seus argumentos contr\u00e1rios. Hoje voc\u00ea vai jantar e descansar; amanh\u00e3 iniciar\u00e1 seus trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Diante de uma boa ocasi\u00e3o que se me apresentava segui minha primeira e desconhecida patroa. Poderia ser diferente o trabalho, mas na situa\u00e7\u00e3o amarga em que me encontrava, toparia qualquer convite. Caminhamos algumas quadras e entramos num Sal\u00e3o de Beleza. Diversas mo\u00e7as atendiam numerosa clientela.&nbsp;Era&nbsp;um verdadeiro anjo de bondade, que apareceu num momento de tr\u00e1gicas consequ\u00eancias. Com aquele emprego dei o m\u00e1ximo de minha capacidade e habilidade, correspondendo a confian\u00e7a de minha protetora. Permaneci ali durante duas semanas sem ser procurada por ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser pelas freguesas, que, mod\u00e9stia \u00e0 parte, me procuravam muito. Por duas semanas comi, dormi e nem percebi pelos dias que se passaram at\u00e9 que minha patroa resolveu intervir nessa aus\u00eancia familiar. Eu, pelo menos, nesses quinze dias n\u00e3o tive o desprazer de ver um marido ordin\u00e1rio e uma sogra paranoica protegendo um filho sem qualidades e o pior, uma casa vazia de comida e compreens\u00e3o. Mas dona Adelaide insistiu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;L\u00facia Helena, disse a senhora, nada tenho a ver com sua situa\u00e7\u00e3o particular, mas acho que voc\u00ea deve procurar seus familiares. Faz duas semanas que est\u00e1 aqui comigo e n\u00e3o \u00e9 justo que continue assim.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;E&#8217; verdade, dona Adelaide; mas como vou chegar em minha casa ap\u00f3s esses dias fora? que ir\u00e3o eles julgar de mim? nem sei onde moro!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Quanto isso irei com voc\u00ea e sua resid\u00eancia sei onde&nbsp;fica.&nbsp;Vamos!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Alegre e satisfeita, bem alimentada, com um bom pagamento recebido, fomos para minha casa. Ao chegarmos bati na porta e instantes depois surgiu na porta minha sogra, com ares bem tristes, demonstrando que ali as coisas em nada deveriam ter melhorado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;L\u00facia!&#8230; exclamou ela admirada. Onde voc\u00ea esteve todo esse tempo?! est\u00e1vamos preocupados com seu desaparecimento! Mauro estava em ponto de ir \u00e0 Delegacia de Pessoas Desaparecidas, para procur\u00e1-la!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8220;Olhei para minha patroa e ela compreendeu naquelas palavras at\u00e9 onde ia a hipocrisia da velha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Bem, minha filha. Se voc\u00ea ainda quiser trabalhar para mim, pode voltar amanh\u00e3. Hoje \u00e9 interessante que fique com seus familiares. E dona Adelaide retirou-se.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Claro que ela voltar\u00e1, minha senhora! disse a velha mais que depressa e me fez entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Filomena, minha sogra, toda satisfeita, n\u00e3o por mim, mas pelo emprego, foi correndo acordar o filho querido, esquecendo que ele trabalhava &#8221; a noite&#8221; e precisava repousar&nbsp;durante&nbsp;o&nbsp;dia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Mauro!&#8230; Mauro, venha ver quem est\u00e1 aqui! Afinal ela voltou&#8230; Mauro, acorda, j\u00e1 \u00e9 tarde!&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Treze horas n\u00e3o era t\u00e3o tarde assim, para quem trabalha de noite. Embora em minha casa, estava bem receosa, mas fui ao quarto ver meu marido, por insist\u00eancia da sogra. Tinha dado por esquecido os tapas no rosto. Esperava, todavia, um melhor tratamento. Mauro, com muita dificuldade acordou mal-humorado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8212;Que importava sua mulher? por isso n\u00e3o teve o menor escr\u00fapulo em responder aos reclamos de sua m\u00e3e. Que veio fazer aqui, rabugenta de uma figa!&#8230; j\u00e1 n\u00e3o serve mais onde estava? pode voltar para l\u00e1; mulher melhor que voc\u00ea tem aos montes por ai! acho quantas quiser!.. &#8220;Fiquei perplexa. Mais uma vez minha sorte falhara naquela casa de triste mem\u00f3ria. Para mim, foi outrora bofetada no rosto, pior da primeira. Agora n\u00e3o se tratava de um ato f\u00edsico, mas moral. E minha sogra hip\u00f3crita, como sempre; onde estava o interesse de Mauro, me procurando? Procurei contornar mais uma vez a situa\u00e7\u00e3o. Reconhecia minha condi\u00e7\u00e3o de mulher casada com esse Mauro. Deveria haver um melhor entendimento, por mais adverso que fosse a sorte. For isso tentei com novos&nbsp;argumentos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Mauro, estamos casados h\u00e1 mais de um ano. Somos jovens; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que no in\u00edcio de nossa vida conjugal vejamos o mundo dessa maneira. Agora estou empregada num instituto de beleza e continuarei trabalhando para ajudar a casa. Afinal, como j\u00e1 havia prometido; precisamos pensar no futuro; mais alguns meses serei m\u00e3e, voc\u00ea um pai e que exemplo da remos ao nosso filho?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A essa not\u00edcia minha sogra abra\u00e7ou-me de alegria. Parecia compreender pela primeira vez&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;Minha filha!&#8230; como estou contente! vou ser vov\u00f3. Ter um neto! Oh! Que alegria!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221; Mauro n\u00e3o respondia nada. Preferiu ficar calado, porque viu sua m\u00e3e alegre. Levantou-se, foi at\u00e9 o quintal, lavou o rosto e com cara de animal veio at\u00e9 a mesa para aquele miser\u00e1vel lanche. Trocamos algumas palavras, mas tudo embaralhado. Depois saiu, para s\u00f3 voltar pela madrugada. Confesso, n\u00e3o gostei nada disso. Passei a noite em claro; minha agonia voltou-me a afligir. Logo pela manh\u00e3 deixei meu marido na cama e fui trabalhar. Voltei a tarde. Assim passei alguns tempos. A vida em nada melhorava; meu marido, al\u00e9m&nbsp;de&nbsp;n\u00e3o&nbsp;ganhar nada, gastava meu dinheiro nos jogos noturnos. Vendo meu sal\u00e1rio insuficiente, dobrei meus esfor\u00e7os e passei a trabalhar a noite num cinema, como bilheteira. Trabalhando dia e noite meu f\u00edsico atrofiava, sobretudo pela gravidez, que j\u00e1 se fazia bem notado. Mesmo com o esfor\u00e7o que eu fazia, Mauro, cada vez mais vagabundo e malandro inveterado, ainda aproveitava para envenenar o esp\u00edrito de sua m\u00e3e, contra sua esposa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;O que ela \u00e9, \u00e9 uma hip\u00f3crita e sem vergonha! al\u00e9m disso o filho que traz n\u00e3o \u00e9 meu! deve ser de amante dela, que lhe deu o emprego, em troca de amores baratos!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m de todos os defeitos, ainda era um s\u00f3rdido cafajeste. Dependia pura e exclusivamente da esposa e ainda tinha a coragem de negar minha honestidade e mais, seu pr\u00f3prio filho. Sua m\u00e3e sempre na defesa do filho, passou a compreender que de fato sua nora era infiel. Assim voltou sua carga novamente contra minha pessoa, agora mais carrega da de \u00f3dio e com outros argumentos. N\u00e3o podendo mais trabalhar devido a gravides, deixei os dois servi\u00e7os e fiquei em casa. Mas o monstro da fome assaltou-nos bem cedo e os maus tratos de minha sogra tamb\u00e9m.&nbsp;Os&nbsp;atritos aumentaram tanto que um dia em pleno frio que se fazia, quando pela manh\u00e3, sem termos nada para um simples caf\u00e9 e com a chegada de Mauro, vindo mais tarde nesse fat\u00eddico dia, houve uma violenta explos\u00e3o; sogra, marido e eu nos misturamos em luta de corpo a corpo, al\u00e9m dos improp\u00e9rios mais horrendo poss\u00edveis, acabei levando a pior, dadas minhas condi\u00e7\u00f5es em que me encontrava. Novas bofetadas pelo rosto, socos e pontap\u00e9s por outras partes do corpo e n\u00e3o podendo sofrer mais, bem como reagir contra dois monstros acabei saindo desesperada pelas ruas, antes que me matassem. Corri, corri e quando cansada passei a andar de um lado para outro completamente desorientada e indiferente aos transeuntes. Enfraquecida e sem a menor no\u00e7\u00e3o, ao transpor a cal\u00e7ada pisei em falso e levei um tombo. Com o choque desmaiei. Pessoas ali me socorreram transportando-me para o hospital das Cl\u00ednicas. Socorrida, m\u00e9dica da e alimentada convenientemente, tr\u00eas dias depois deixei o hospital e com a ajuda de minha ex patroa regressei a casa de meus pais, que at\u00e9 ent\u00e3o ignoravam minha sorte. Amparada novamente e restabelecida dos sofrimentos f\u00edsicos e morais, tive uma linda crian\u00e7a. Passa de mais alguns tempos voltei a&nbsp;S\u00e3o&nbsp;Paulo,&nbsp;mas para trabalhar independente. Agora n\u00e3o tenho marido, nem sogra que me exploram. Deixei minha filha aos cuidados de meus pais e periodicamente venho visit\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Odeio meu ex-marido pelos sofrimentos que me fez passar. Sei que ele me procura porque, ap\u00f3s ter ficado preso por uns meses devido suas malandragens, vagabundeio e outros neg\u00f3cios escusos, reabilitou-se. Mas prefiro minha liberdade, como ela \u00e9. Trabalho, passeio e contribuo para a manuten\u00e7\u00e3o de minha filha Magn\u00f3lia. Os sofrimentos que tive com eles levar\u00e3o muito tempo para esquec\u00ea-los. As chagas causadas a mim ainda est\u00e3o abertas e creio que levar\u00e3o muito tempo para cicatriz\u00e1-las&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-comments\">\n\n\n\n\n\n\t<div id=\"respond\" class=\"comment-respond wp-block-post-comments-form\">\n\t\t<h3 id=\"reply-title\" class=\"comment-reply-title\">Leave a Reply <small><a rel=\"nofollow\" id=\"cancel-comment-reply-link\" href=\"\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/198#respond\" style=\"display:none;\">Cancel reply<\/a><\/small><\/h3><form action=\"https:\/\/picciblog.com.br\/wp-comments-post.php\" method=\"post\" id=\"commentform\" class=\"comment-form\"><p class=\"comment-notes\"><span id=\"email-notes\">Your email address will not be published.<\/span> <span class=\"required-field-message\">Required fields are marked <span class=\"required\">*<\/span><\/span><\/p><p class=\"comment-form-comment\"><label for=\"comment\">Comment <span class=\"required\">*<\/span><\/label> <textarea id=\"comment\" name=\"comment\" cols=\"45\" rows=\"8\" maxlength=\"65525\" required=\"required\"><\/textarea><\/p><p class=\"comment-form-author\"><label for=\"author\">Name <span class=\"required\">*<\/span><\/label> <input id=\"author\" name=\"author\" type=\"text\" value=\"\" size=\"30\" maxlength=\"245\" autocomplete=\"name\" required=\"required\" \/><\/p>\n<p class=\"comment-form-email\"><label for=\"email\">Email <span class=\"required\">*<\/span><\/label> <input id=\"email\" name=\"email\" type=\"text\" value=\"\" size=\"30\" maxlength=\"100\" aria-describedby=\"email-notes\" autocomplete=\"email\" required=\"required\" \/><\/p>\n<p class=\"comment-form-url\"><label for=\"url\">Website<\/label> <input id=\"url\" name=\"url\" type=\"text\" value=\"\" size=\"30\" maxlength=\"200\" autocomplete=\"url\" \/><\/p>\n<p class=\"comment-form-cookies-consent\"><input id=\"wp-comment-cookies-consent\" name=\"wp-comment-cookies-consent\" type=\"checkbox\" value=\"yes\" \/> <label for=\"wp-comment-cookies-consent\">Save my name, email, and website in this browser for the next time I comment.<\/label><\/p>\n<p class=\"form-submit\"><input name=\"submit\" type=\"submit\" id=\"submit\" class=\"submit\" value=\"Post Comment\" \/> <input type='hidden' name='comment_post_ID' value='198' id='comment_post_ID' \/>\n<input type='hidden' name='comment_parent' id='comment_parent' value='0' \/>\n<\/p><\/form>\t<\/div><!-- #respond -->\n\t<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ODEIO MEU MARIDO Conto Francisco Piccirilo &#8220;Sou uma senhora desquitada. 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